sexta-feira, 30 de novembro de 2012

CONHECENDO O VALE DO RIBEIRA: BARRA DO CHAPÉU


          Com o curioso nome de Barra do Chapéu, este município foi criado em 30 de dezembro de 1991, a partir do desmembramento de um distrito da cidade de Apiaí, em 17/01/1991. O censo do ano 2.000 revelou uma população de 4.846 habitantes, sendo 1.448, na zona urbana e 3.398 na zona rural. Um município essencialmente rural, como se vê.

          Talvez o leitor pense que esses dados populacionais estão obsoletos. Estão, mas não muito. O censo de 2010 mostrou uma cidade com 5.236 habitantes, isto é, uma diferença, para mais, de apenas 390 habitantes. Portanto, nesses 10 anos, houve um aumento de 39 habitantes por ano. Isso não quer dizer que as mulheres do município tenham deixado de cumprir o seu dever, conforme o mandado divino (crescei e multiplicai-vos), mas sim que os habitantes da cidade estão obedecendo a um mandado da necessidade: “cresçam e deem o fora”. As cidades do Vale do Ribeira, de modo geral, ou mantém sua população inalterada, ou perdem habitantes, ou ganham poucos, de censo a censo.

          Mas vamos em frente. Curiosamente, em 2000, o número de homens, no município, (2.610) foi maior do que o número de mulheres (2.236). Dizemos curiosamente, porque é mais comum que os rapazes, mais que as moças, saiam dos pequenos centros urbanos, para procurar trabalho em cidades maiores. Em Barra do Chapéu parece ter acontecido o contrário: as meninas é que estão se aventurando, saindo em busca de oportunidades, deixando a rapaziada da terrinha a chupar o dedo. Pode ser também que elas, de modo geral, sejam tão bonitas que os forasteiros as estão levando embora.  Se essa fama se espalha, cuidado, rapaziada de Barra do Chapéu! Ponham as barbas e os bigodes de molho!

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

PENITENCIÁRIA EM REGISTRO


            Surgiram novamente nos jornais referências à construção de uma penitenciária, em Registro, seguida, naturalmente, de protestos de autoridades e cidadãos. Não sei exatamente porque. O receio de que isso possa aumentar os crimes na região, como é alegado por algumas pessoas, é ridículo. Penitenciária é para prender criminosos, não uma escola para eles, apesar de que deveria ser um processo “pedagógico”, para os criminosos. Naturalmente, por conta das visitas da família, vai haver certo movimento de gente ligada aos “amigos do alheio”,  mas a ligação é de parentesco, não de atividades ilícitas.

            É fato que os criminosos, no Brasil, por conta do desleixo das autoridades e do obsoletismo do sistema de controle dos estabelecimentos prisionais, conseguem continuar sua vida de ilicitudes, mesmo dentro da carceragem. Mas esses atos dependem de seus comparsas, fora das grades, moradores e atuantes, de modo geral, nos grandes centros, e não nas pequenas cidades. Pensar que alguns membros do PCC vão se deslocar para o Vale do Ribeira para vender cocaína é megalomania. Um quilo de cocaína já é suficiente para sustentar todos os viciados da Região, o que torna o negócio de drogas por aqui “serviço” de “pés de chinelo” do crime.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

INÍCIO DE DEZEMBRO EM JUQUIÁ: EXPOSIÇÃO E VENDA DE ORQUÍDEAS E PLANTAS ORNAMENTAIS


 

               É sempre alvissareiro saber de iniciativas que levem à melhoria econômica dos moradores da região do Vale do Ribeira. Por isso, fazemos questão de divulgar, neste Blog, a exposição e venda de orquídeas, que acontecerá em princípios de dezembro, em Juquiá. No evento, que ocorrerá no Sítio Pedra Cavalo, nos dias 8 e 9 de Dezembro, além da exposição e vendas, haverá palestras sobre o cultivo de vegetais, e apresentará artesanatos regionais e comida caseira. Abaixo, o cronograma:

               Dia 8, às 14 horas – Dr. Luiz Penteado – Presidente da Orquivale de Registro – Assunto: Cultivo de Orquídeas

               Dia 9, às 9 horas – Dr. José Américo (Agrônomo) – Assunto: Plantas  Ornamentais

               Dia 9 às 13 horas – Dr. José Américo (Agrônomo) – Assunto: Tratos Culturais da Pupunha.

               Durante a exposição, haverá Premiações para Campeão, 2º Colocado e 3º Colocado, nas modalidades Híbridas, Espécies e Exóticas.

               O evento é realização do Sindicato Rural, com apoio da Prefeitura Municipal de Juquiá.

domingo, 25 de novembro de 2012

CANANEIA: CONSERVAÇÃO DOS MANGUESAIS


               Um dos traços mais visíveis da desatualização dos habitantes do Vale do Ribeira com a modernidade é sua aparente indiferença com a Ecologia. Estamos mergulhados na Mata Atlântica, mas isso não tem alterado os hábitos locais, a não ser no quesito “reivindicação”, quando se procuram os órgãos estaduais ou federais, para reclamar contra o “arbítrio” de uma demarcação, ou de uma proibição quanto a hábitos centenários de destruição da fauna local.     
               A proibição da pesca na época da desova dos peixes só começou a funcionar quando o Governo (leia-se: toda a sociedade) se dispôs a pagar pelos meses em que o pescador deixava de exercer sua função (defeso), como se isso (a proibição da pesca) não fosse um ato de proteção, que preservaria a própria fauna aquática, em benefício do pescador. Além da estranheza desse fato, ainda tem-se que tolerar os abusos contra a Lei, com o pagamento de defeso a pessoas que nunca puseram a mão numa rede de pescar. Quem tem boa memória deve lembrar a dificuldade que tiveram os técnicos da pescaria em convencer os pescadores de que os peixes não se reproduzem de maneira infinita, e que se a fauna não for preservada, mais cedo ou mais tarde, eles diminuirão em quantidade. Lembro do ceticismo de muitos pescadores veteranos: “Isso é bobagem, os peixes vêm do mar e nunca acabarão!”

               Por todos esses fatos, é auspicioso ler uma notícia como a que vai abaixo:

 

Cananéia realiza a VIII Semana Municipal pela Conservação dos Manguezais

 

               A Prefeitura de Cananéia, através do Departamento Municipal de Meio Ambiente (Rogério José de Sena e Mayra Jankowsky) e do Departamento de Planejamento, juntamente com o Instituto de Pesquisas Cananéia (IPEC) realizarão entre os dias 24 a 30 de novembro a VIII Semana Municipal pela Conservação dos Manguezais. O evento tem como parceira a Sabesp.

               Entre as atividades previstas estão o mutirão de limpeza nos Manguezais, com a participação dos estudantes da rede estadual de ensino, no dia 24; a construção coletiva do Biomapa Manguezal e discussão sobre a conservação dos manguezais, junto aos estudantes da Escola Estadual do Bairro Cubatão, no dia 26; acordo sobre a destinação de resíduos de pesca no Centro Comunitário de Cananeia, no dia 27; encerramento, feira de trocas e exibição dos Vídeos da Mostra Manguezal na Escola Estadual do Bairro Cubatão, no dia 30. As inscrições para o mutirão devem ser feitas no Ipec ou na Escola Estadual do Bairro Cubatão até o dia 23. As inscrições para os vídeos deverão ser realizadas no Departamento de Planejamento também até o dia 28.

               Conquistas da Semana dos Manguezais em Cananéia – as ações de conservação dos manguezais surgiram com o “Projeto Manguezal Ativo” no ano de 2002, por meio de um grupo da sociedade civil reunido através do Fórum DLIS – Desenvolvimento Local Integrado e Sustentável de Cananéia, que tinha como objetivo instaurar o Programa Comunidade Ativa em nossa cidade. A escolha do referido projeto deveu-se à necessidade da conservação de um Patrimônio Natural da Humanidade, que é o Complexo Estuarino-Lagunar, onde se insere a totalidade dos manguezais do município de Cananeia.

sábado, 24 de novembro de 2012

FLORA MEDICINAL DO VALE DO RIBEIRA


           A notícia já é velha (26/09/2012) mas seu interesse é permanente, para nós, do Vale do Ribeira. Aconteceu que dois alunos de Gestão Ambiental da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da USP, Jorge Luiz Cambuí Melli e Guilherme Aleoni, apresentaram um trabalho, no 13º.Congresso Internacional da Sociedade Etnofarmacológica, na Áustria, 2 pesquisas sobre Conhecimento Etnobotânico sobre Plantas Medicinais, do Vale do Ribeira.

            A primeira, apresentada por Melli, explicou quais espécies vegetais brasileiras são empregadas na fabricação de medicamentos e quais poderiam ser também empregadas para esse fim, se fossem melhor estudadas. Dessa forma, a pesquisa destacou a importância de se manter o conhecimento etnobotânico vivo e ativo.

            O segundo trabalho, apresentado por Aleoni, relata que o Brasil está dividido em seis grandes biomas (Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, Pantanal e Pampa), e é o país mais rico em biodiversidade. Esta vasta riqueza biológica se reflete pelo potencial medicinal das mais diversas espécies de plantas. O viajante e pesquisador alemão Carl Friedrich Philipp von Martius, em seu Brasiliensis Systema Materiae Medicae Vegetabilis (1874), descreve 470 plantas brasileiras. Nele, o cientista afirmou que “as plantas brasileiras não curam, fazem milagres”. Dessa forma, para categorizar e relatar seus usos, nesse trabalho foram selecionadas 25 espécies de 17 famílias diferentes amplamente utilizadas no Brasil, especialmente por farmácias de manipulação. Elas apresentam propriedades como imunomoduladoras, antioxidantes e anti-inflamatórias, antitumorais, ansiolíticas, ajudam no processo de cicatrização e defesa contra a síndrome metabólica.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

CANANEIA REPRESENTA O BRASIL EM SEBORGA, NA ITÁLIA


             Alunos da rede municipal de educação de Cananeia terão uma experiência inédita, neste Natal: foi firmado um intercâmbio com Seborga – região da Ligúria, província de Impéria, Itália – pelo qual 70 crianças enviarão trabalhos escolares aos alunos de uma instituição de ensino da comunidade italiana. As mensagens, selecionadas pelos diretores das escolas, deverão ter como tema o Natal e a Paz e servirão de adorno para uma árvore (abeto) de 4 metros que será montada na principal praça da cidade. A data de entrega dos trabalhos escolhidos é hoje, dia 21.

             A decoração natalina estará a cargo dos meninos do Conselho Municipal de Seborga. O arranjo para o abeto de Natal será composto por desenhos e mensagens de crianças de várias partes do mundo. Cananeia representará o Brasil nesse intercâmbio.

             Além do envio dos trabalhos escolares, os dois municípios estão providenciando uma comunicação entre suas crianças. A vice-prefeita de Cananeia, Maria Rita, destacou o mérito desse intercâmbio: “O Natal sempre foi um momento de unidade e fraternidade. É muito bom que nossas crianças aprendam a importância da partilha de momentos de amizade com pessoas de cultura distintas”. Além das Prefeituras das duas cidades, Cananeia e Seborga, o evento conta com a colaboração de Francesco Grazi.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

MÃO-DE-OBRA DESPERDIÇADA


         As empresas de telemarketing, de São Paulo, Rio de Janeiro, etc. estão migrando para o Nordeste, em busca de mão-de-obra farta e barata. Essa é uma tendência moderna que está dando certo em toda parte. Os EUA há muitos anos utilizam mão-de-obra indiana, tailandesa, etc. para esse tipo de trabalho, que não exige proximidade nem com o freguês, nem com a fábrica do produto. Mas, por que os EUA não usam, ou usam pouco, o Brasil, para fazer isso? E chegando mais perto, porque as empresas de São Paulo e Rio de Janeiro não utilizam a mão-de-obra disponível no Vale do Ribeira? Não seria uma boa opção, para eles e para nós?

           A resposta para as duas perguntas é: “seria, se não fosse....” Aí é que está o busílis da questão. O “caso” do Brasil, já é conhecido: burocracia, impostos, legislação trabalhista, e, ainda, como todos estão carecas de saber, a corrupção, em todos os escalões do serviço público, como ficou escancarado, agora, com o julgamento do “Mensalão”. O caso do Vale do Ribeira é complexo, como é complexa a composição social, administrativa e econômica do Vale. Seria muita pretensão tentar uma análise sócio-político-econômica, assim, de improviso, sem um longo estudo prévio dos dados, uma meticulosa pesquisa social, e uma base teórica vasada em dados comparativos, geográficos e históricos.   

            Entretanto, sem entrar em detalhes, os resultados que podem se perceber da atuação da administração pública nos municípios do Vale, dão uma pista de nossos problemas. Engana-se aquele que pensar, assim, de supetão, que estou acusando o serviço público municipal do Vale, os seus políticos eleitos, em suma, de ineficientes. Ao contrário, estou querendo dizer é que o próprio serviço público, os políticos, mesmo sem considerar sua competência ou falta de, encontram uma enorme dificuldade em lidar com o povo, com seus desmandos, o despreparo de muitos, a falta de cidadania de tantos outros, enfim, a inexistência de um elo de boa vontade, que ligasse o cidadão aos seus dirigentes político-administrativos. O assunto não fica por aqui, mas é muito extenso e complexo para apenas um artigo. Voltaremos a ele, por um ou outro meio, como já estamos fazendo pela exposição crítica do noticiário local.  
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