segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

CONSÓCIO DE DESENVOLVIMENTO INTERMUNICIPAL DO VALE DO RIBEIRA


             A notícia da eleição do prefeito de Cananeia, Adriano Cesar Dias, para Presidente do CODIVAR, suscita algumas pertinentes (assim as considero) perguntas. Em primeiro lugar, há quanto tempo existe o CODIVAR? Em segundo lugar, o que significa Desenvolvimento Intermunicipal do Vale do Ribeira? Em terceiro lugar, respondida a segunda questão, pode-se dizer que o CODIVAR cumpriu o papel que possa justificar sua criação e manutenção? Onde se poderia pesquisar o resultado da atuação do CODIVAR?

              Falei em perguntas pertinentes, mas duvido que os envolvidos na questão concordem com isso. Não há nada que irrite mais as pessoas responsáveis pelos órgãos públicos do que se virem diante de questionamentos sobre seu cargo, seus planos, suas realizações. No entanto, no caso do CODIVAR, assim como em qualquer outro órgão funcional da administração pública, aos cidadãos, antes do que o discurso dos titulares, da notícia da cerimônia de posse do eleito, o que mais interessa é o que foi feito até ali, e o que deve se feito, dali em diante, para continuar ou mudar os rumos da entidade.  Senão vejamos a notícia:

               1 - Em seu primeiro discurso como Presidente eleito, o Sr. Adriano agradeceu a todos os prefeitos que o elegeram, e já apresentou o seu Plano de Gestão para o biênio 2013/2014: “Este é um dia muito especial. Muito obrigado a todos os prefeitos pelo voto de confiança. O Vale do Ribeira é uma região riquíssima em belezas naturais, com um potencial turístico incrível, mas que ainda é preciso ser explorado de forma sustentável e benéfica para o nosso povo. O progresso dessa região tem que acompanhar o mesmo ritmo de outras regiões do Estado”.

                2 - Adriano aproveitou a ocasião para apresentar o Plano de Gestão para o seu mandato no biênio de 2013/2014. As metas foram criadas de maneira abrangente, com propostas que busquem solucionar os problemas da região do Vale do Ribeira. “Partimos de alguns eixos temáticos importantes para dar o direcionamento do que iremos desenvolver em conjunto com todos os prefeitos. Iremos aliar as nossas propostas com o grande trabalho que o Prefeito Merci realizou na presidência do CODIVAR. Buscaremos fazer com que o Vale do Ribeira, o ‘pulmão’ do Estado de São Paulo, tenha o seu devido reconhecimento político, turístico e econômico”.

             Apesar de ter falado em considerações “irritantes”, logo no início deste artigo, a nossa intenção está longe disso. O que gostaríamos de ouvir ou ler, como notícia são duas coisas:

             1 – O que pode ser medido, em termos de índices de melhoria das condições de vida, no Vale do Ribeira, após a criação do CODIVAR?

             2 – Em que proporção essa medida acompanha os índices de desenvolvimento do Estado como um todo?

             3 – Se nas últimas décadas houve, ou não, alguma melhoria nas condições de vida dos habitantes do Vale, deve-se dar (ou não) continuidade aos métodos já testados nesse sentido?

OBSERVAÇÃO: As respostas a essas perguntas não devem ser respondidas com a eloquência dos discursos de campanha, mas com os dados estatísticos disponíveis.

 

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Narrativa de um antigo caixeiro-viajante


                      O "CAPA PRETA" DE IGUAPE

 

               A meio caminho de uma estrada que vai do Estado de São Paulo ao Estado do Paraná, há um desvio que leva à cidade de Iguape. Por conta de meu trabalho de caixeiro-viajante, fui ter a essa cidade, que fica à beira-mar. Encantei-me com o jeito simples da cidade, acostumado que estava com a dimensão e o movimento da própria Capital e de outras cidades, como Santos e Campinas. O casario de Iguape é antigo e concentrado, principalmente, em torno da enorme Basílica, com uma ampla praça à frente. As ruas laterais, com raras exceções, são bem alinhadas, às vezes correndo ao lado de enormes campos, onde crianças e jovens se divertem, jogando futebol. Cheguei a Iguape, ao anoitecer, pois a viagem de “jardineira” foi longa, desde São Paulo.  Durante a viagem, consultei um morador de Iguape, que viajava ao meu lado, sobre um bom hotel ou pensão, simples, mas que também desse refeição. Ele se dispôs a me acompanhar até a “Pensão de Da. Gracinda”.  

               A família dona da pensão era pequena, o casal e uma criança curiosa, que, enquanto conversávamos, não sossegou enquanto não pegou meu relógio de pulso. Gracinda, a discreta esposa, logo providenciou um modesto jantar. Todos me acompanharam à mesa e conversamos. Esperaram que eu dissesse alguma coisa a meu próprio respeito, antes de falarem de si e da cidade. Como sempre acontece nessa primeira troca de informações, entre hóspede e hospedeiros que não se conhecem, a conversa se inicia precavidamente por assuntos neutros, como o tempo, a estrada, para logo, escorregar em temas pessoais, como o estado civil do visitante. A condição de solteiro, num estranho, desperta reações diversas, num casal: no homem, o alarme difuso; na mulher, um solícito, embora um tanto suspeito, maternalismo. Mas logo perguntei pelas coisas locais, e a conversa voltou à neutralidade. Mencionaram os fatos comuns, o trivial da cidadezinha: a pausada monotonia, as pequenas intrigas, os tipos curiosos, os fatos históricos. Logo, talvez suspeitando da insuficiência dramática dessas banalidades, decidiram colorir a conversa com um pouco mais de emoção:

               - Quase sempre, alguém que ande à noite, na cidade, topa com o Capa Preta - começou seu Marcelino, como se tal cognome já definisse um tipo, como o Saci ou o Lobisomem. - Ele costuma assustar as pessoas, surgindo de repente na escuridão. É coisa desses desocupados, que ficam até tarde na rua...

               - Qual desocupados, qual nada! – interrompeu a Da. Gracinda. - O senhor me desculpe falar assim, mas acho que é uma alma penada. Gente de carne e osso não aparece e desaparece, sem mais, nem menos!

               - Não diga bobagem, Gracinda, alma é o miolo da cabeça, vai com a gente no caixão, quando se morre, não fica zanzando por aí. O que o senhor acha, seu Miguel? 

               Tergiversei. Nunca testemunhei o encontro de um ponto comum nas divergências entre materialistas e espiritualistas. Por outro lado, minhas céticas representações metropolitanas são um tanto incompatíveis com crendices, populares ou eruditas. Minhas reticências, no entanto, não foram tomadas como neutralidade, mas como desconhecimento dos fatos, pois a conversa prosseguiu com a narrativa de casos exemplares de sustos e calafrios. Entretanto, a noite avançara e a conversa se interrompeu, quando meus anfitriões tiveram a delicadeza de olhar o antigo relógio de parede ao lado, e me sugerir o merecido descanso. Recolhi-me ao quarto e me preparei para dormir. A boa refeição e a fadiga fizeram sua parte: o mundo se apagou suavemente. Mesmo sem o aval da Medicina e da Filosofia, sempre considerei que a principal função do sono é livrar-nos da cansativa exatidão das dimensões espaciais e das rígidas medidas temporais. Durante o sono, os sonhos nos permitem deslocar sem compromisso com as distâncias, e os fatos ocorrem numa cronologia arbitrária, estranha às indicações do relógio ou do calendário.     

               Entretanto, no meio da noite, um tropel, acompanhado de gritos agudos, sonorizou as indefinidas imagens de meus sonhos. Embora não tenha despertado completamente, recordo que puxei o cobertor, como para garantir o silêncio e o agradável calor da cama ou, talvez, me proteger daquele ruído sinistro. Pela manhã lembrei vagamente daqueles sons noturnos, mas uma obscura vaidade abafou a certeza de que eu os ouvira, realmente.  Na mesa de café, conversando com os donos da casa, mantive essa posição, e afiancei que dormira profundamente. Eles foram discretos e não tentaram me extrair algum comentário, embora eu suspeitasse que esperavam, pelo menos, alguma medrosa pergunta.   

               Meses depois dessa memorável viagem, assisti a um simpósio, na Faculdade de Filosofia, em São Paulo, sobre um curioso tema: "O pensamento primitivo e a Religião". O encontro foi comandado por três eminentes cientistas sociais, um filósofo, um psicólogo e um antropólogo, cujos nomes não mencionarei, para não comprometê-los com minha reprodução ou, talvez, minha interpretação, de suas respectivas palestras que, eu sei, estarão contaminadas pelas minhas próprias convicções. Um sarcástico dramaturgo irlandês afirmou que nosso trabalho intelectual consiste em adaptar o mundo e suas revelações à nossa mente defeituosa. Malgrado esse desanimador ponto de vista, atrevo-me a fazer um resumo do simpósio:

               - Se Deus não existisse, os homens o inventariam, de qualquer jeito, como inventaram o demônio (e o Capa Preta, pensei comigo). O medo ancestral é um poderoso e profundo sentimento que habita a nossa imaginação e precisa ser preenchido com alguma coisa, preferivelmente assustadora. ("Que boa a vida, se não houvesse o inferno" lembrei eu, de um velho adágio que aprendi em Iguape), o que mostra o outro lado da questão. Os profetas do Apocalipse são uma espécie de "voz do povo" corporificada, que traduz num discurso apavorante aquele medo que todos trazem no seu inconsciente. Na dimensão psicológica, o medo é produto da necessidade de emoções fortes, que dão colorido à vida. Da parte da Biologia, a própria evolução selecionou os espécimes humanos que traziam na sua genética o temor e, mesmo, a covardia. Os ancestrais temerários, ou ingênuos, que ignoravam o medo, foram devorados pelas feras que, imprudentemente, resolveram enfrentar. O ser humano precisa do medo tanto para sobreviver como para medir sua coragem e seu poder. Se não tem uma causa imediata para que ele se manifeste, provoca-a. O perigo, real ou imaginário, dá consistência ao mundo e dignidade à vida humana. Daí a função da fantasia, na vida das pessoas de vida pacata, que as faz apreciar histórias de pavor e sofrimento, ainda que terminem com a morte do herói (neste ponto, sem pensar em exagero, ou blasfêmia, incluí aqui o drama do Novo Testamento). Enquanto o herói sofre, triunfa ou morre, nós

sofremos ou usufruímos, com ele, a dor ou a vitória, a famosa "catarse", assinalada por Aristóteles e bem explorada por Freud.

               Lembrando de minha experiência noturna naquela viagem a Iguape, fico pensando se o casal da pensão, na sua simplicidade, não sabia de tudo isso. A erudição, afinal, não é uma forma complicada de dizer verdades simples? Nesse caso, será que sua discussão sobre a possível natureza de um personagem apavorante não era apenas uma gentileza para com o visitante, ao proporcionar-lhe uma história cheia de emoções? Não era isso que faziam aqueles viajantes árabes do deserto, trocando histórias entre si, no descanso dos oásis? O mestre do suspense cinematográfico, Hitchcock, não usou esse ardil para atrair plateias civilizadas à sala dos cinemas? Mas, por alguma razão que nunca consegui explicar, nem depois de minha oitiva do simpósio dos sábios, nem a suspeita sobre a possível amabilidade de meus hospedeiros da Botica, nem os ardis de Hitchcock apagaram em minha memória aquele tropel e gritos sinistros que ouvi (ou penso ter ouvido) no meio da noite, naquele quartinho de pensão, em Iguape.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

CONHECENDO O VALE DO RIBEIRA: BARRA DO CHAPÉU


          Com o curioso nome de Barra do Chapéu, este município foi criado em 30 de dezembro de 1991, a partir do desmembramento de um distrito da cidade de Apiaí, em 17/01/1991. O censo do ano 2.000 revelou uma população de 4.846 habitantes, sendo 1.448, na zona urbana e 3.398 na zona rural. Um município essencialmente rural, como se vê.

          Talvez o leitor pense que esses dados populacionais estão obsoletos. Estão, mas não muito. O censo de 2010 mostrou uma cidade com 5.236 habitantes, isto é, uma diferença, para mais, de apenas 390 habitantes. Portanto, nesses 10 anos, houve um aumento de 39 habitantes por ano. Isso não quer dizer que as mulheres do município tenham deixado de cumprir o seu dever, conforme o mandado divino (crescei e multiplicai-vos), mas sim que os habitantes da cidade estão obedecendo a um mandado da necessidade: “cresçam e deem o fora”. As cidades do Vale do Ribeira, de modo geral, ou mantém sua população inalterada, ou perdem habitantes, ou ganham poucos, de censo a censo.

          Mas vamos em frente. Curiosamente, em 2000, o número de homens, no município, (2.610) foi maior do que o número de mulheres (2.236). Dizemos curiosamente, porque é mais comum que os rapazes, mais que as moças, saiam dos pequenos centros urbanos, para procurar trabalho em cidades maiores. Em Barra do Chapéu parece ter acontecido o contrário: as meninas é que estão se aventurando, saindo em busca de oportunidades, deixando a rapaziada da terrinha a chupar o dedo. Pode ser também que elas, de modo geral, sejam tão bonitas que os forasteiros as estão levando embora.  Se essa fama se espalha, cuidado, rapaziada de Barra do Chapéu! Ponham as barbas e os bigodes de molho!

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

PENITENCIÁRIA EM REGISTRO


            Surgiram novamente nos jornais referências à construção de uma penitenciária, em Registro, seguida, naturalmente, de protestos de autoridades e cidadãos. Não sei exatamente porque. O receio de que isso possa aumentar os crimes na região, como é alegado por algumas pessoas, é ridículo. Penitenciária é para prender criminosos, não uma escola para eles, apesar de que deveria ser um processo “pedagógico”, para os criminosos. Naturalmente, por conta das visitas da família, vai haver certo movimento de gente ligada aos “amigos do alheio”,  mas a ligação é de parentesco, não de atividades ilícitas.

            É fato que os criminosos, no Brasil, por conta do desleixo das autoridades e do obsoletismo do sistema de controle dos estabelecimentos prisionais, conseguem continuar sua vida de ilicitudes, mesmo dentro da carceragem. Mas esses atos dependem de seus comparsas, fora das grades, moradores e atuantes, de modo geral, nos grandes centros, e não nas pequenas cidades. Pensar que alguns membros do PCC vão se deslocar para o Vale do Ribeira para vender cocaína é megalomania. Um quilo de cocaína já é suficiente para sustentar todos os viciados da Região, o que torna o negócio de drogas por aqui “serviço” de “pés de chinelo” do crime.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

INÍCIO DE DEZEMBRO EM JUQUIÁ: EXPOSIÇÃO E VENDA DE ORQUÍDEAS E PLANTAS ORNAMENTAIS


 

               É sempre alvissareiro saber de iniciativas que levem à melhoria econômica dos moradores da região do Vale do Ribeira. Por isso, fazemos questão de divulgar, neste Blog, a exposição e venda de orquídeas, que acontecerá em princípios de dezembro, em Juquiá. No evento, que ocorrerá no Sítio Pedra Cavalo, nos dias 8 e 9 de Dezembro, além da exposição e vendas, haverá palestras sobre o cultivo de vegetais, e apresentará artesanatos regionais e comida caseira. Abaixo, o cronograma:

               Dia 8, às 14 horas – Dr. Luiz Penteado – Presidente da Orquivale de Registro – Assunto: Cultivo de Orquídeas

               Dia 9, às 9 horas – Dr. José Américo (Agrônomo) – Assunto: Plantas  Ornamentais

               Dia 9 às 13 horas – Dr. José Américo (Agrônomo) – Assunto: Tratos Culturais da Pupunha.

               Durante a exposição, haverá Premiações para Campeão, 2º Colocado e 3º Colocado, nas modalidades Híbridas, Espécies e Exóticas.

               O evento é realização do Sindicato Rural, com apoio da Prefeitura Municipal de Juquiá.

domingo, 25 de novembro de 2012

CANANEIA: CONSERVAÇÃO DOS MANGUESAIS


               Um dos traços mais visíveis da desatualização dos habitantes do Vale do Ribeira com a modernidade é sua aparente indiferença com a Ecologia. Estamos mergulhados na Mata Atlântica, mas isso não tem alterado os hábitos locais, a não ser no quesito “reivindicação”, quando se procuram os órgãos estaduais ou federais, para reclamar contra o “arbítrio” de uma demarcação, ou de uma proibição quanto a hábitos centenários de destruição da fauna local.     
               A proibição da pesca na época da desova dos peixes só começou a funcionar quando o Governo (leia-se: toda a sociedade) se dispôs a pagar pelos meses em que o pescador deixava de exercer sua função (defeso), como se isso (a proibição da pesca) não fosse um ato de proteção, que preservaria a própria fauna aquática, em benefício do pescador. Além da estranheza desse fato, ainda tem-se que tolerar os abusos contra a Lei, com o pagamento de defeso a pessoas que nunca puseram a mão numa rede de pescar. Quem tem boa memória deve lembrar a dificuldade que tiveram os técnicos da pescaria em convencer os pescadores de que os peixes não se reproduzem de maneira infinita, e que se a fauna não for preservada, mais cedo ou mais tarde, eles diminuirão em quantidade. Lembro do ceticismo de muitos pescadores veteranos: “Isso é bobagem, os peixes vêm do mar e nunca acabarão!”

               Por todos esses fatos, é auspicioso ler uma notícia como a que vai abaixo:

 

Cananéia realiza a VIII Semana Municipal pela Conservação dos Manguezais

 

               A Prefeitura de Cananéia, através do Departamento Municipal de Meio Ambiente (Rogério José de Sena e Mayra Jankowsky) e do Departamento de Planejamento, juntamente com o Instituto de Pesquisas Cananéia (IPEC) realizarão entre os dias 24 a 30 de novembro a VIII Semana Municipal pela Conservação dos Manguezais. O evento tem como parceira a Sabesp.

               Entre as atividades previstas estão o mutirão de limpeza nos Manguezais, com a participação dos estudantes da rede estadual de ensino, no dia 24; a construção coletiva do Biomapa Manguezal e discussão sobre a conservação dos manguezais, junto aos estudantes da Escola Estadual do Bairro Cubatão, no dia 26; acordo sobre a destinação de resíduos de pesca no Centro Comunitário de Cananeia, no dia 27; encerramento, feira de trocas e exibição dos Vídeos da Mostra Manguezal na Escola Estadual do Bairro Cubatão, no dia 30. As inscrições para o mutirão devem ser feitas no Ipec ou na Escola Estadual do Bairro Cubatão até o dia 23. As inscrições para os vídeos deverão ser realizadas no Departamento de Planejamento também até o dia 28.

               Conquistas da Semana dos Manguezais em Cananéia – as ações de conservação dos manguezais surgiram com o “Projeto Manguezal Ativo” no ano de 2002, por meio de um grupo da sociedade civil reunido através do Fórum DLIS – Desenvolvimento Local Integrado e Sustentável de Cananéia, que tinha como objetivo instaurar o Programa Comunidade Ativa em nossa cidade. A escolha do referido projeto deveu-se à necessidade da conservação de um Patrimônio Natural da Humanidade, que é o Complexo Estuarino-Lagunar, onde se insere a totalidade dos manguezais do município de Cananeia.

sábado, 24 de novembro de 2012

FLORA MEDICINAL DO VALE DO RIBEIRA


           A notícia já é velha (26/09/2012) mas seu interesse é permanente, para nós, do Vale do Ribeira. Aconteceu que dois alunos de Gestão Ambiental da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da USP, Jorge Luiz Cambuí Melli e Guilherme Aleoni, apresentaram um trabalho, no 13º.Congresso Internacional da Sociedade Etnofarmacológica, na Áustria, 2 pesquisas sobre Conhecimento Etnobotânico sobre Plantas Medicinais, do Vale do Ribeira.

            A primeira, apresentada por Melli, explicou quais espécies vegetais brasileiras são empregadas na fabricação de medicamentos e quais poderiam ser também empregadas para esse fim, se fossem melhor estudadas. Dessa forma, a pesquisa destacou a importância de se manter o conhecimento etnobotânico vivo e ativo.

            O segundo trabalho, apresentado por Aleoni, relata que o Brasil está dividido em seis grandes biomas (Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, Pantanal e Pampa), e é o país mais rico em biodiversidade. Esta vasta riqueza biológica se reflete pelo potencial medicinal das mais diversas espécies de plantas. O viajante e pesquisador alemão Carl Friedrich Philipp von Martius, em seu Brasiliensis Systema Materiae Medicae Vegetabilis (1874), descreve 470 plantas brasileiras. Nele, o cientista afirmou que “as plantas brasileiras não curam, fazem milagres”. Dessa forma, para categorizar e relatar seus usos, nesse trabalho foram selecionadas 25 espécies de 17 famílias diferentes amplamente utilizadas no Brasil, especialmente por farmácias de manipulação. Elas apresentam propriedades como imunomoduladoras, antioxidantes e anti-inflamatórias, antitumorais, ansiolíticas, ajudam no processo de cicatrização e defesa contra a síndrome metabólica.
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